quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pedal do dia 06 de junho de 2010 - VOLTA SANTA CLARA

Saída: 08h10  
Retorno: 11h15
Total pedalado: 49,460 km (partida Avenida Primavera)
 
Velocidade Média: 18,470 km/h
Tempo de pedal: 2h40min39seg

Cidades envolvidas: Ribeirão Bonito, Trabiju e Dourado

Temperatura: Dia ensolarado, 22º C

Integrantes: Rodrigo, Guilherme e Fabio

 



Diante do fato de já estarmos cientes do que nos esperará na distante semana do dia 13 de novembro, onde bravamente, eu, o Rodrigo e seu irmão Guilherme, buscaremos o feito de ir das escadas na matriz do Bom Jesus da Cana Verde até a movimentada Aparecida do Norte, pedalando por quase 600 km em estradas de terra, vimos a real necessidade de já nos habituarmos a esse novo tipo de terreno. E como é diferente. Bota diferente nisso.


No mountain bike tudo é diferente mesmo. Nós nunca haviamos pedalado pelas estradas de terra, que por aqui são muitas, mantendo nossos treinos sempre em pista, compartilhando faixas com carros, caminhões, respirando fumaça, e pedalando em velocidades maiores. Confesso, que speedeiro que sou, não me imaginava pedalando com bike de pneu largo e marchas leves. E ainda via isso como algo bem "miguelão", fácil e sem graça. E como fui surpreendido. Que grande engano. Como é e foi bom pedalar assim. Como é saudavel andar de MTB pelas estradas de terra. Como é seguro percorrer quase o percurso todo sem cruzar com carro algum, caminhão algum. Como faz bem. E também, como é desgastante pedalar na terra, manter o ritmo. 




O primeiro treino/passeio que fizemos de MTB levou em conta alguns fatores, como a proximidade de Trabiju, os conhecimentos do Gui e Rodrigo por aqueles lados e também a curiosidade por saber exatamente onde é que se escondia a vila de Santa Clara.

A manhã do domingo era fria, bem fria. Já logo na entrada da Rodovia do Açúcar, sentindo o trepidar dos braços diante de tantas pedras, tive a certeza que a bicicleta não rodaria suave, como a speed roda no liso asfalto. Só que o contato com o solo propriamente dito, permitia um melhor prazer no pedalar. Muitas vezes, andar a 40, 50, 60 km/h em cima de uma bicicleta de menos de 10 kg, gera tanta adrenalina e ansiedade, que não permite que se fique olhando pros lados, para as árvores, para a natureza em si. Para mim, pedalar olhando os lados, olhando as pedras no chão, formigas, tucanos voando, era muito diferente do habitual.


 

Assim, pedalando em ritmo tranquilo, atento e seguro, perfizemos o caminho de terra batida e sem poeira (devido à chuva de um dia antes) até a cidade de Trabiju. 20 km foi a distância percorrida até a pequena cidade. E em todo o trajeto, cruzamos apenas com a caminhote do entregador de leite. Só isso. Fato rarissimo de ser ocorrer em uma estrada de asfalto.

Já na entrada de Trabiju, um cachorro de tamanho descomunal nos recebe vigiado pelo olhar de seu dono. As pessoas dali nos olhavam com olhares incertos, talvez por estranheza mesmo ou então indefinição de onde éramos e para onde íamos. Chegamos rapidamente na praça defronte ao posto de gasolina, onde poderiamos tirar umas fotos e comer "uns carboidratos".



Ainda aproveitamos pra "chegar" na padaria, afim de repor as reservas de água e comprar alguma coisa pra comer. O Gui mandou ver num salgadinho "De Montão". Simpático, o dono da padaria achou que éramos de Boa Esperança. Sabendo ele que vinhamos de Ribeirão Bonito, e fazendo uma cara de espanto, enalteceu nossa coragem. Mal sabia ele, talvez, que a distância é mínima, quase um aquecimento.


Com as compras devidamente pagas, seguimos rumo a entrada de onde haviamos chegado. Ainda pude presenciar que o Moisés Horse, que além de pedalar mais ou menos, sabe latir quase como um cachorro de verdade, agora tem um concorrente a altura. Vendo um cachorro, que diante de tamanha calmaria resolveu dormir bem no meio da rua, o Gui passa latindo sobre o pobre animal. Furioso com o incomodo, o cão quase me acerta a perna. 

Novamente em estrada de terra, chega-nos o que seria o pior trecho de toda a volta. A subida da serra da Santa Clara. E que subida. Muita piçarra no chão, aclive violento. As marchas leves da bicicleta, permitiam que o pneu dianteiro saisse do chão constantemente. Mas como não somos novatos em escala de força e fielmente faremos o Caminho da Fé, escalamos a "serrinha" sem problema algum.



Vencido o obstáculo, vimos lá do alto a cidade de Araraquara e Boa Esperança, além da fumaça emitida por pelo menos duas usinas de cana. Ainda encontramos no caminho uma placa de moto perdida. O motorista descuidado provavelmente vinha de Jau. A placa ao menos era.



Mais 5 km e então, o que para mim era a grande curiosidade do dia, a Vila de Santa Clara, após uma curva envolta em mato, surge repentinamente. A idéia que tinha da vila era um punhado de casas abandonas, restos de uma fazenda, ou qualquer outro amontoado de casas hoje sem importância. Mas não. A vila impressiona pelo cuidado com suas três ruas, suas casas restauradas e sobretudo pela capela. E como um presente divino, a capelinha amarela, estava aberta. Imediatamente deixamos nossas bicicletas perto do "parquinho" das crianças, e rumamos felizes em direção à capelinha. Uma senhora absurdamente simpática nos esperava na porta. Confesso que aquele momento, valeu por todo o resto do passeio e do dia. Adentrando, acompanhados pelo olhar orgulhoso da senhora, presenciamos o capricho que a mesma devota no cuidado com a capela. Fomos convidados a participar da missa que começaria em 40 minutos. Ficamos informados e convocados às missas que todos os primeiros domingos do mês ali ocorrem. 







Como infelizmnete não poderíamos morar ali, percorremos mais 7 km até a cidade de Dourado, ainda por terra batida, presenciando vales incríveis e inesquecíveis. Já no trevo da cidade vizinha, seguimos sentido Ribeirão Bonito pelo esfalto que já conhecemos. Mas pedalar no asfalto, depois de tudo que tinhamos visto naquela manhã, não teve a menor graça.


Um comentário:

  1. Quando puder irei comprar uma MTB também,parabéns pelo passeio seus, muito lindas as fotos, apesar de visualizar só terra,terra,terra,terra e pedra,porém já conheço essa estrada de criptonita realmente tem "lugares lindos e não terra,terra,terra.Só deixo um recadinho que^estou chegando maluco!

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