segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Pedal do dia 01/08 - Ibaté (Treino 47 / 2010)

DATA: 01/08/2010 - domingo
Tipo de Treino: MTB
Local: Ibaté via estrada do cemitério
Hora Início: 08h00
Hora Término: 12h00
Km Percorrido:  57.390m
Tempo: 3:44:19
Velocidade Média: 15,35 km/h
Integrantes: Fabio, Rodrigo e Moisés


Já há algum tempo, vinha subestimando alguns percursos, achando que não seriam complicados ou longos ou possíveis. Por diversas vezes tracei no Google Earth o  percurso Ribeirão Bonito a Ibaté, por estrada de terra, sendo 28 km de ida e 56 km de percurso total. Sabia que no meio disso tudo haveria uma serra. Apenas sabia, nunca havia visto em cores. 

Eis então, que chega o grande dia de irmos logo ali em Ibaté pela estrada do cemitério. A idéia era também acompanharmos mesmo que por pouco tempo a etapa da Copa São Paulo de Ciclismo. E assim fomos, Rodrigo, Moisés e eu. 

Já de cara a subida do cemitério. Subir de speed realmente é muito mais fácil. A pedalada rende. A bicicleta desenvolve. Não sei se por desuso, pedalar de MTB pra mim, tem sido um enorme martírio. Os pneus sao diferentes, a relação de marchas, o banco. Me sinto totalmente desconfortavel. Mas a ideia era irmos ate ali em Ibaté, pouca coisa. Rápido voltaríámos. O asfalto termina justamente na porta do cemitério. Nos restava agora alguma terra, pedras, pedras e mais pedras. Socos e mais socos. Os músculos dos braços pareciam desgrudar do osso. O ar, somado a poeira da estrada, se tornava quente e ardia o nariz. Mas não reclamávamos (inicialmente). O Moisés, heróico Moisés, teve a irresponsabilidade (hehehe) de ir numa caloi 10 antiga, de puro ferro, sem suspensão alguma e com pneus 700x28. E desaparecia lá na frente, parecendo pedalar suavemente no asfalto. Eu e o Rodrigo, permaneciamos calados. Eu imaginava o tamanho da roubada. Passamos pelo rio Jacaré, subimos pela fazenda da Cutrale. Até ali eu conhecia. Depois dali, nenhum de nós imaginava o que viria. Até que ao final de uma curva , surge lá na frente, a serra. Imponente serra. Serra em zigue zague. Serra de pedra. O Moisés desapareceu literalmente. Até agora não entendo como ele subiu aquilo numa bicicleta daquela. Eu e o Rodrigo lutavamos quietos, sentindo dores, eu sentia o musculo posterior da coxa latejar, queimar. Andando de speed, nunca havia feito tamanho esforço. A bicicleta chegada a empinar a roda dianteira, a traseira patinava. E quando parecia que estavamos no fim, eis que uma nova curva surgia, uma nova subida. A visão lá do alto é impressionante. Realmente incrível.  E assim, com muita luta, muita dor, chegamos ao cume da serra. Era possivel avistar duas usinas de açucar e a cidade de Araraquara. Ibaté logo surgiu também. Faltava pouco. Parecia que faltava pouco. Em uma estrada de pura pedra em terra firme, pedalamos com certo desespero até Ibaté, que parecendo uma miragem, nunca chegava. Foi cruel. Foi punk. Foi bigode.

Em ibaté, tinhamos o proposito de ao menos ver onde a corrida acontecei. Para tal, vencemos uma subida de uns 2 km, agora em asfalto, já na cidade. Avistamos alguns ciclistas numa avenida bonita. Era ali. Tudo muito organizado, como deve ser a cidade de Ibaté. Guardas municipais monitorando o transito, e uma avalanche de ciclistas competindo e aquecendo. Foi bonito de ver. Vamos aguardar pra ver como será aqui em Ribeirão Bonito, no dia 10/10. 

Mas estavamos todos tristes, todos quietos. Estavamos cansados. Se possivel fosse, entraria em um onibus e voltaria. Ficamos ali vendo o pessoal pedalar por tão somente 20 minutos. Eu  precisava estar em Ribeirão Bonito até no maximo meio dia. Já eram 10h25. Pedalar com horario pra voltar é complicado. É um sufoco e uma pressão a mais.

Ainda parei em um bar (verdadeiro buteco) imaginando uma Coca Cola terrivelmente gelada. Mas ali, já na saida da cidade, não havia nem Coca Cola, nem água, nem Pepsi, nada. Além da pinga, tinha um guaraná Krill. Optei pelo guaraná e viemos embora. Nessa altura todas as caramanholas de agua que tinhamos haviam terminado. Vim contando os minutos, sentindo socos e mais socos nos braços. Doia. Chegamos rapidamente na serra. Agora seria mais fácil, somente descer. Fácil nada. Descida terrível. Mãos segurando firme nos freios. Dedos doendo, braços quase desprendendo do corpo. Um sacrifício. Serra vencida, era o momento de acelerarmos o passo. Mas nao tinhamos água, a boca estava seca, o corpos sujo de terra. A bicicleta toda desregulada, cambio rangindo, pedevela com jogo. E o tempo passando. As forças no limite. Todos estavamos no talo, no pó. Eu pensava em cada subida que viria, em quanto tempo estaria em Ribeirao. Cheguei a tirar a celular da camisa pra pedir ajuda ao meu irmao, que poderia nos buscar de carro. Pela primeira vez na minha vida de ciclista amadorzão, achei que precisaria de ajuda. Mas o celular não estava em área. Ao menos pra mim, tudo conspirava contra. E assim fomos vencendo cada km, cada pedra. Em determinado momento, vi que o Moisés estava bem na frente e que o Rodrigo tava no limite. Eu não teria ali meios pra diminuir o ritmo. Se optasse por empurarrar a bicicleta, não voltaria a pedalar mais  naquela circunstância. E mandaria assim pro espaço o almoço na casa do Carlinhos, (almoço em homenagem ao meu aniversário) e causaria um problemão. Encontrei o Moisés no alto da última subida, sentado num barranco, amarrando a faixa no pé torcido um dia antes. Acabei por vir o mais rapido que pude, já perto do meio dia. Cheguei no portão de casa  ás 12h01. Morto, quebrado, sujo. Tomei um banho gelado, nasci de novo, e pude almoçar em família. Que sufoco.

Peço desculpas ao Rodrigo por não te-lo esperado. Ele sabia do meu problema com o horário, sabia do meu desespero. Enfim, fico feliz por termos vencido a serra de Ibaté. Foi o pedal mais cruel que fiz e mesmo sentindo até agora dores nos dois antebraços, sinto-me feliz pelo feito.

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